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| Se,
por
exemplo,
formos a
um museu
de arte
encontraremos
na
seção
dedicada
a Arte
Abstrata
ou ao
Cubismo,
pessoas
admirando
telas
que,
para os
não
apreciadores
daquele
gênero
de arte,
parecem
mais
simples
borrões
coloridos
ao
acaso,
ou até,
no caso
do
Cubismo,
desenhos
mal
feitos.
Arte é
tudo
aquilo
que gera
uma
impressão,
que nos
trás
uma
sensação
qualquer.
Tentar
definir
sensações
é algo
muito
difícil,
na
medida
que elas
são
absolutamente
pessoais,
no
entanto,
existe
um fio
comum
às
sensações,
elas
são
sentidas
pelo
complexo
intelectual
humano,
logo
podem
atingir
a grupos
definidos,
pessoas
que
possuam
experiências
assemelhadas.
De uma forma geral arte provoca sensações de harmonia, principalmente quando falamos de artes plásticas, sendo assim o apreciador da chamada Arte Abstrata verá beleza no conjunto de borrões coloridos de uma tela a óleo dentro dessa categoria de arte. As sensações provocadas pela arte Guaporé não trazem, necessariamente, sensações de harmonia ou beleza, nem tampouco o Guaporé está limitado a estilos, formas ou objetos... Para se ter uma idéia, até em aromas ou odores o Guaporé pode ser detectado!!! |
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| Agora
que
definimos
o
Guaporé
como uma
arte,
para
melhor
compreensão
daqueles
que,
pela
primeira
vez,
tomam
contato
com essa
concepção
abstrata
e antes
de
contarmos
como e
de onde
o nome
Guaporé
surgiu,
temos
que
falar
das
sensações
que o
Guaporé
provoca.
Diversas
descrições
terão
que ser
expressas
se
quisermos
passar o
que
sente
aquele
capaz de
detectar
o
Guaporé.
A
maioria
das
pessoas
percebe
o
Guaporé,
porém,
nem
todos
dão
importância
ou ligam
o
percebido
ao
traço
comum
dessas
sensações.
O
Guaporé
nada
mais é
do que
um
transiente
temporal,
uma
desarmonia
cronológica,
uma
anacronia
inspirada
por
alguma
coisa,
seja ela
isolada
ou em
conjunto. Toda e qualquer percepção detectada por nossos sentidos que, ao reagir com nossas lembranças, cause perplexidade em função do anacronismo constatado é o Guaporé manifesto. |
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| Há controversia, também, em relação a gostar ou não do Guaporé, muitos podem perceber o Guaporé e, no entanto, não sentirem o prazer intelectual, diversão, a euforia que os iniciados na detecção desta arte manifesta sentem com sua percepção... o Guaporé pode ser ainda um conceito usado apenas para efeito de discrição do observado... |
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| Diríamos
então
que
classificar
o
Guaporé
como
arte
não
serviria
para
todos os
que o
percebem.
Em
relação
as
sensações
provocadas
pela
constatação
do
Guaporé,
muitas
vezes, o
mesmo
faz
florescer
o mais
profundo
dos bons
humores,
quando
compartilhada
com uma
pessoa
que o
perceba
do mesmo
modo. O
compartilhamento
do
Guaporé
pode ser
um dos
momentos
mais
divertidos
que dois
ou mais
indivíduos
possam
ter. Os
maiores
conhecedores
do
Guaporé
classificam-o
como a
experiência
máxima
da
liberdade
intelectual,
participar
da
bizarria
universal
descuidadamente
flagrada
em seu
gigantesco
paradoxo
temporal.
Finalmente,
a
resposta
a
pergunta
natural
de todos
os que
tomam
contato
com o
Guaporé.
De onde
veio
este
nome? Da
homônima
cidade
gaúcha?
Da
região
da
Amazônia
de igual
nome?
Será
que é
uma
palavra
Tupi-Guarani
que
significa
"estranho",
"paradoxo
temporal
manifesto"
ou
"anacronismo"?
Não, se
alguém
lembrou
dos
Brinquedos
Guaporé,
muito
conhecidos
da
garotada
na
década
de
sessenta
por
vender
jogos e
kits com
pretensão
educacional,
tais
como, O
Farol
Encantado,
O
Pequeno
Químico,
O
Pequeno
Fotografo
e tantos
outros
brinquedos
vendidos
em
caixa...
Acertou!
Pois
bem, as
ilustrações
das
caixas
dos
brinquedos
Guaporé
eram
absolutamente
Guaporé!!!
O
ilustrador
que as
assinava
com o
nome de
Kraus,
jamais
soube
que seus
estranhos
desenhos
suscitariam
toda uma
concepção
intelectual.
Dois
amigos
(Marcos
Barreto
e João
Canali),
casualmente,
em uma
conversa
descobrem
que
ambos
eram
impressionados
pelas
ilustrações
das
caixas
dos
brinquedos
Guaporé.
A partir
daquela
constatação
descobriram
que o
Guaporé
era uma
verdadeira
essência
da
imagem e
extrapolaram
para
toda uma
fenomenologia.
O
batismo
da
percepção
em comum
com o
nome de
Guaporé
foi pura
consequência. |