Duvivier em Copacabana e meu pai na cobertura do mesmo prédio. Era algo em torno de dez horas da noite e assistíamos a um desfile de misses na TV, tão populares naqueles anos sessenta. Não era um desfile de misses importante, era um paralelo, digamos assim, e estava sendo transmitido da antiga sede do Botafogo no Mourísco, se não me falha a memória. Desço a este detalhe porque, de repente, pode haver alguém interessado em uma pesquisa mais profunda e pode por esses dados chegar a uma data do dia que isto ocorreu.
Eis que as luzes da cidade se apagaram, o que não era nenhuma novidade naqueles tempos de blackouts constantes, todavia, esse não foi um dos tantos programados, me recordo bem disto. Saímos então para o terraço e sentamos lado a lado em um banco desses de jardim que meu pai lá pusera. Meu pai deveria estar fumando seu Petit Londrino sem filtro, creio que a esse tempo não havia migrado para o cachimbo. Se alguém que me leia já viu um vaga-lume, algo tão comum, entenderá que o que eu e meu pai percebemos quase que ao mesmo tempo. O que quero dizer é que na maioria das vezes percebemos o vaga-lume com o canto dos olhos e só da segunda vez é que conseguimos focalizar o ponto exato onde o inseto acendeu sua luz. Com a ausência da luz e de nuvens, numa noite sem luar, podíamos divisar as estrelas com bastante nitidez. Perguntei a meu pai se ele havia sentido uma "piscação" no céu e com sua resposta positiva passamos a observar com atenção o que se passava bem acima de nossas cabeças a uns quinze mil metros de altura, chutaria com o pensamento de hoje... Pois bem, o OVNI se deslocava em uma espécie de zig-zag, a cada ponto de parada ou referência deste movimento dava uma baita piscada que parecia mudar de cor do laranja ao azul claro, essas piscadas alcançariam, só para dar uma idéia, a intensidade de Vênus, o ponto luminoso mais forte do céu depois da Lua e, claro, do Sol... entre um ponto de piscada e outro podíamos perceber um objeto se deslocando a uma velocidade muito superior a que um avião de caça moderno, só para traçar uma comparação. A direção era do sul para o norte e o avistamento durou coisa como uns trinta segundos. O gráfico abaixo tenta dar uma idéia aproximada do que vimos àquela noite. Consegui essa imagem do céu carioca em um site francês dedicado a astronomia, aparecem muito mais estrelas do que normalmente observamos a olho nu...
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